sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Notícias sobre o projecto 2 histórias

O projecto 2 histórias está em pleno desenvolvimento em quase todas as salas de JI do nosso agrupamento.
Na sala 1 do JI de Meãs do Campo, depois da "descoberta dos animais"de que fala o poema de Álvaro Magalhães, as crianças lançaram-se no desafio de pensar o que caracteriza cada um desses animais (qual a sua forma), como se escreve o seu nome e quantas sílabas têm essas palavras...

Grande desafio... Afinal como é uma doninha? E uma lombriga? E um jacaré?... Alguns vivem na selva, pois é! Ai é? E o que é uma selva?

O painel em construção
Como é um jacaré?












Tantas perguntas, merecem que se procurem respostas...
Qual a forma da baleia, com letras?








Não acham?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma nota sobre a avaliação

Hoje fiz uma pesquisa em blogues de educadores de infância e fiquei um bocadinho assustada quando tropecei num deles com centenas de seguidores.  O susto ficou enorme quando abri um documento intitulado "avaliação diagnóstica", uma ficha supostamente pensada para avaliar se as crianças quando chegam ao JI sabem as cores, os números, se reproduzem formas geométricas e linhas.... Indicadores fundamentais, como referem os autores, para pensar o que fazer (o currículo, suponho)!
Confesso que pensava não ser possível, depois de tudo o que se tem escrito e dito, encontrar esta forma de ver a avaliação entre os educadores de infância.
Deixo-vos a minha convicção, pouco original e sobejamente  reafirmada na literatura nacional e internacional, de que existem outras formas de fazer avaliação em educação de infância. Sobretudo, peço-vos que reflictam sobre o quê, que parte da criança e da sua vida é avaliada dessa forma.

A criança é feita
A criança tem cem linguagens
Cem mãos cem pensamentos
Cem maneiras de pensar
De brincar e de falar
Cem sempre cem
Maneiras de ouvir
De surpreender de amar
Cem alegrias para cantar e perceber
Cem mundos para descobrir
Cem mundos para inventar
Cem mundos para sonhar.
A criança tem
Cem linguagens
(e mais cem, cem, cem)
Mas roubam-lhe noventa e nove
Separam-lhe a cabeça do corpo
Dizem-lhe:
Para pensar sem mãos, para ouvir sem falar
Para compreender sem alegria
Para amar e para se admirar só no Natal e na Páscoa.
Dizem-lhe:
Para descobrir o mundo que já existe.
E de cem roubam-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
Que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia
A ciência e a imaginação
O céu e a terra, a razão e o sonho
São coisas que não estão bem juntas
Ou seja, dizem-lhe que os cem não existem.
E a criança por sua vez repete: os cem existem!


Loris Malaguzzi (1996)

domingo, 14 de novembro de 2010

Projecto "Os dinossauros"



No dia 15 de Outubro fomos passear pelas ruas da Carapinheira. Durante o passeio vimos alguns animais em casa da avó do Pedro e da Inês.
Chegámos ao JI e conversámos sobre os animais que tínhamos visto.
Nessa conversa vieram à baila os dinossauros e  surgiu a pergunta: “OS DINOSSAUROS EXISTEM?”.
12 crianças  achavam que sim e 5 achavam que não. Na mesma conversa discutimos se os dinossauros são todos iguais, se voam , onde vivem (ou viviam), se são maus, como nascem...
Concluímos que havia muita coisa que não sabíamos (ou não tínhamos a certeza) e queríamos saber. Fomos de fim-de-semana à procura de respostas.
Assim surgiu na sala 1 do JI de Carapinheira o projecto dos dinossauros.

Trouxemos para a sala
-pesquisas na internet feitas em casa (ainda não temos internet no nosso JI)
-enciclopédias
-desenhos e imagens
-filmes

 
Elaborámos/construímos
- um dossier temático com os trabalhos trazidos de casa;
- uma pequena exposição com o material recolhido;
- divisão silábica da palavra “Dinossauro”;
- labirintos (descoberta do  caminho do dinossauro) ;
-trabalhos individuais com material trazido de casa;
- um vulcão e a experiência do vulcão


A história do projecto contada pelas crianças à Ofélia
“Queríamos saber se tinha sido um cometa ou um vulcão a matar os dinossauros. Eles morreram há muitos anos.
O cometa caiu no planeta terra e eles morreram. O cometa é uma coisa redondinha, grande, tem fogo e por isso é quente.
Morreram primeiro os herbívoros porque as plantas queimaram-se todas, depois morreram os carnívoros, porque já não tinham herbívoros para comer.
Alguns dinossauros voavam, havia dinossauros que nadavam e outros que andavam na terra. Na terra andavam alguns com 4 patas e outros com 2.

Fizemos a experiência do vulcão e foi muito giro, mas não sabemos se os dinossauros morreram com o vulcão em vez do cometa!”




Grupo 1 do JI de Carapinheira

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Projecto 2 histórias

Prometemos que noticiaríamos o texto que estamos a trabalhar...


ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Ó mãe, posso ter um hipopótamo,
uma girafa ou um pinguim?
Diz-me que sim, diz-me que sim.
Gostava tanto de ter um elefante,
um rinoceronte e uma baleia.
Não é boa ideia?
E se for uma vaca,
um canguru e uma doninha?
Também não?
Que grande desgraça!
E se for uma traça?
Não? Então quero um cão,
um gato, um papagaio e uma lombriga.
E, já agora, um coelho, uma aranha e uma formiga.
E um jacaré.
Pois é também quero um jacaré.
E quero um tubarão
que venha comer à minha mão,
um mosquito que seja bonito,
e uma sardinha que seja só minha.


Álvaro Magalhães, in “O brincador”,  Porto: Porto Editora, 2009

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O JI que não queremos


I Encontro Avaliação em Educação Pré-escolar

Vamos participar no

I Encontro Avaliação em Educação Pré-escolar -Sistema de acompanhamento da criança. O link

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

As cores e as formas da Natureza

A folha e o caracol
Tantas!
Quantas cores têm?













                                     Meãs: grupo2
                                            

A aranha

Há sempre uma altura em que as aranhas se cruzam connosco no JI, pela mão de uma criança. Aqui fica uma ideia para trabalhar a sensibilização ao inglês, com o pretexto das aranhas.
canção em inglês

Participação das crianças ou pura manipulação

Actualmente não há quem não fale da "participação das crianças".  Infelizmente, muitos não se apropriaram dos pressupostos que subjazem ao movimento em investigação e nas práticas sociais que defende a participação infantil.
Fazer perguntas às crianças sobre qualquer assunto no contexto do JI é para muitos sinónimo de participação. Porém, essas perguntas, muitas vezes só servem os interesses dos adultos, desejosos de usar as falas das crianças para confirmar e infirmar alguma coisa e resultam em pura manipulação. Por exemplo,  não é legítimo, porque não é ético, que um educador pergunte às crianças se avaliam positivamente ou negativamente um sistema de regras e punições implementado na sala de actividades, para concluir dessa forma  a favor do referido sistema.
Para quem se interessa por estas coisas, cá vai um texto curtinho

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

projecto 2 histórias

Nos jardins de infância onde trabalhamos desenvolvemos anualmente um projecto a que chamamos "2 histórias". Em volta de dois textos inventamos uma exploração didáctica que seguimos com os diferentes grupos de crianças. É um exercício de trabalho interdisciplinar, partindo do texto escrito. No fim, avaliamos o que todos aprendemos (adultos e crianças) e como afirmámos a nossa diferença enquanto educadores a partir de ideias comuns.
Este ano começámos com um texto de Álvaro Magalhães, um autor que pensa o trabalho com as palavras como nós pensamos o trabalho com os conteúdos no jardim de infância, sejam eles quais forem. Deixamos aqui o texto que nos inspira. Qualquer dia noticiamos o texto que estamos a trabalhar.

O Brincador, de Álvaro Magalhães

"Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador... A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida".
Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser um brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever: Aqui jaz um brincador."
Álvaro Magalhães

Afinal o que conseguem fazer as crianças?

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