Hoje, dia de reis - um dia incontornável nos jardins de infância de norte a sul do país, um dia que pertencendo ao calendário católico também é incontornável por razões culturais numa escola que se preconiza laica- li o texto de um amigo meu no facebook que me fez reflectir sobre as decisões curriculares oficiais, mas também sobre as práticas curriculares nas escolas e jardins de infância.
"A problemática da aprendizagem mais do que nunca é um sorvedouro de vontades e entusiasmos, sempre desejoso de se poder encontrar a porta certa da sua morada, mas sempre,também, incapaz de devolver felicidade concretizada a quem por estes caminhos persiste em deixar as suas pegadas. Em todos os domínios do saber esta incerteza peleja e quase nunca um sorriso persistente se consegue sobrepor a um taciturno desânimo de quem quer dar aos outros o melhor de si, no tempo mais célere e consequente!
Assim acontece também no campo científico da Música. Hoje, é indiscutido e todos sabem, o valor interventor que esta disciplina pode ter no desenvolvimento cognitivo, afectivo e motor de todos os seres, abrindo-lhes ou mesmo rasgando-lhes horizontes e permitindo-lhes o acesso a verdades comportamentais determinantes.
No ponto de encontro destes dois conceitos se pode concluir que, hoje, e mais do que nunca, um desenvolvimento equilibrado e optimizado, não agressivo e moldante, do próprio ser na sociedade envolvente, nunca se consegue atingir sem à Música dar um lugar e uma palavra.
Contudo uma dificuldade se nos põe: as gerações anteriores que agora julgam e decidem, por força do seu escalão etário, nada beneficiaram dos conteúdos que agora entendem como essenciais e insistentemente apregoam! E daí resulta que tudo o que dizem, outra direcção não têm que não seja a celebre e tão usada "sexta (cesta) secção!!!" , ou seja, o Lixo.
E a música continua, na sua essência, a ser um factor lúdico de manipulação, subaproveitada no seu potencial de participação social e incompreendida na sua existência plurivalente de formação humana!" Virgilio Caseiro
Querendo fazer jus às verdades educativas inerentes a este texto deixo-vos um filme que inspirou o trabalho do dia de reis nas 3 salas do jardim de infância de Meãs do Campo. Porque afinal a música já cá estava quando nós nascemos, quando nasceram os nossos pais e avós, quando nasceu o Menino Jesus...e muito antes disso. A música inventada por homens e mulheres para transmitir ideias e sentimentos a propósito da vida dos homens, mesmo não se escrevendo, passa de orelha a orelha e é um legado cultural inolvidável no currículo.
Depois de muito pensar sobre as dificuldades que se esperam em 2011, de tentar encontrar, apesar disso, palavras que façam sentido nesse cenário, desejo a todos
O que o Natal tem de melhor é dar-nos a oportunidade de alimentar o imaginário das crianças. Ontem e hoje, aqui ou em qualquer ponto do planeta, ainda que as infâncias sejam muito diversas, parece que existem algumas coisas comuns a todas, entre as quais a capacidade e o gosto por conhecer através do imaginário.
O Natal está a chegar, ao que parece o Pai Natal está em grande azáfama, já começou a encher os sacos de prendas e a preparar o trenó. As renas descansam e preparam-se para a grande viagem anual à volta do Mundo.
Muitos meninos esperam o velhinho de barbas ansiosamente. Nunca o viram, apenas em imagens impressas, na televisão e ao vivo quando os adultos lá em casa, nas ruas, nas festas de Natal da escola ou nos centros comerciais, decidem vestir-se de Pai Natal. Mas o verdadeiro, esse, só aparece na noite de Natal!
A Carolina registou este momento de espera num desenho. Era o postal de Natal que nos faltava para desejar a todos uma noite de Natal com MUITA MAGIA.
Desejamos sinceramente a todos os adultos que não percam a capacidade de imaginar e de alimentar a imaginação das crianças.
O agrupamento de escolas, através do departamento de artes, lançou este ano um concurso de árvores de Natal. As crianças/alunos sozinhos, ou acompanhados de familiares e amigos, foram desafiados a criar uma árvore de Natal com materiais de desperdício.
No último dia de aulas o júri reuniu e decidiu. Veja os primeiros prémios para cada ciclo e outras participações aqui
No início desta semana o carteiro chegou com uma carta para a Sala 2, uma carta do Pai Natal!
Ficámos admirados!
A Paula leu-nos a carta e descobrimos que o Pai Natal está com um problema e pede a nossa ajuda para o resolver: precisa de saber onde ficam as nossas casas, pois da nossa aldeia ele só conhece o Jardim de Infância. Pede que lhe façamos um mapa.
- Mas o que é um mapa? – perguntou a Paula
- É onde tem as estradas !- Tatiana
- E casas! - Gabi
- O meu pai tem um mapa no carro para ele não se enganar nas estradas! - João Pedro
O Pai Natal pedia para cada um fazer o seu mapa, mas alguns meninos achavam que era melhor fazer um grande, porque os “os mapas são grandes e as folhas são pequenas!”.
Como decidimos tudo democraticamente na nossa sala, a Gabriela disse logo: “- Vamos votar!”.
Contámos os votos e ganhou a proposta do mapa grande!
Cortar, recortar e colar papel e as nossas casas ficaram prontas!
De repente o João disse:
- Não se esqueçam da chaminé, porque se não o Pai Natal não entra!
A Beatriz fez o nosso Jardim de Infância e a Gabriela o Pai Natal e a partir da localização do Jardim de Infância desenhámos as estradas e colámos as casas. As estradas, depois de desenhadas por cada um a lápis, foram contornadas a caneta e pintadas a preto porque “as estradas são pretas e têm alcatrão”.
Descobrimos que umas casas ficavam para baixo, outras para cima, umas ao lado de outras e ainda umas longe e outras perto… as estradas umas curtas e outras compridas.
A Beatriz lembrou-se ainda que as estradas têm uns riscos brancos que “quando são pequeninos os carros podem ultrapassar”, mas “quando é um traço comprido os carros não podem, é proibido, é uma regra, também temos que fazer!”
Acham que o Pai Natal vai encontrar as nossas casas?
VEJA AQUI O SAC ADAPTADO A pedido de vários colegas, deixo aqui o documento que usamos no Agrupamento de Escolas José dos Santos Bessa de Carapinheira para avaliação das crianças. Este documento foi aprovado em conselho pedagógico em Novembro do presente ano lectivo. Alerto para o facto do uso deste instrumento exigir formação. Brevemente estará também disponível na página do agrupamento, à semelhança de outros documentos internos.
A professora Filomena, professora de artes no nosso agrupamento, foi aos jardins de infância ensinar a fazer umas árvores de Natal diferentes. Com papelinhos de revista cortados de vários tamanhos, uma base de madeira, um arame e rolhas de cortiça montaram-se as árvores. Depois acabaram-se com umas tintas brilhantes. Ficaram tão giras!!!
Os níveis de implicação estiveram elevados, foi desafiante espetar os papelinhos no arame.
"Hoje é o dia internacional da pessoa com deficiência. Sabem o que é uma pessoa com deficiência?" - perguntou a educadora.
As crianças fizeram silêncio e olharam a educadora com um grande ponto de interrogação no olhar. Finalmente a Matilde quebrou o silêncio e disse: "Nós não sabemos!!!"
Experimentaram tapar os olhos, tapar os ouvidos, imobilizar pernas e braços e fazer algumas coisas que costumam fazer todos os dias dentro da sala. No fim, desenharam e expressaram as suas ideias sobre a deficiência.
"A vida das pessoas com deficiência é difícil.
Quando as pessoas não ouvem não percebem o que estamos a dizer, só conseguem perceber olhando para a boca das outras.
Quando não vemos batemos contra as coisas, não conseguimos escrever como as outras pessoas.
Quando as pessoas têm um problema nas pernas têm que andar de cadeira de rodas, não conseguem subir escadas, têm que pôr uma rampa.
Se têm um problema nas mãos não conseguem mexer. Só com uma mão é muito difícil fazer jogos."
Tudo começou em Outubro. Um menino da nossa sala manifestou o interesse de "aprender a fazer barcos".
Depois, interessaram-se outros meninos pela ideia e começámos a "pensar" como são os barcos, que formas têm, se são todos iguais...
FOMOS À FIGUEIRA DA FOZ VER OS BARCOS
Uma ideia puxa a outra e a partir dos barcos o interesse "expandiu-se em conteúdo"
Também ouvimos histórias, vimos imagens.... No outro dia, a propósito de uma história do livro "Lendas do mar" surgiu a pergunta: "Porque é que a água do mar é salgada?"
Agora andamos a perguntar a toda a gente crescida que conhecemos. As pessoas crescidas devem saber!
Ah! Como decidimos dançar na festa de Natal (gostamos de dançar), a Teresa sugeriu que inventássemos uma coreografia para uma música que "fale" do mar. Depois contamos como foi.