sexta-feira, 18 de março de 2011

Descobertas no meio circundante


Saímos frequentemente da nossa sala. Algumas descobertas que fizemos (grupo 3 do Jardim de infância de Meãs)
As árvores grandes têm raízes grandes


Há raízes debaixo da terra de onde crescem plantas
Um rebanho são muitas ovelhas
O bebé ovelha, o cordeiro, é macio


Um cavalo branco, grande e bonito

Habitantes debaixo da terra? Quem são?

A densidade da folhagem de uma oliveira!



terça-feira, 15 de março de 2011

Podcast: o coelhinho branco

Uma primeira experiência com som que partilho convosco.
Ontem não sabia como colocar no blogue o podcast. Hoje já sei! Obrigada pelas dicas.
Cá fica a mensagem renovada.

Participantes na aventura
Adultos: 3 educadoras do JI de Meãs e eu (+ apoio de um técnico na mistura de som)
Crianças: crianças dos grupos 1, 2 e 3 do JI de Meãs (7 no total)


O coelhinho branco | Musicians Available

segunda-feira, 14 de março de 2011

Construção da Identidade de Género no Jardim de Infância: rompendo com os estereótipos


Género e sexo não são exactamente a mesma coisa. A identidade de género diz respeito aos comportamentos e atitudes que são socialmente estabelecidos para cada sexo e constrói-se em contexto social por cada pessoa desde que nasce.
Sabemos que essa construção se processa nas crianças a par do desenvolvimento da capacidade para se diferenciarem e  fazer parte de grupos sociais. Crianças muito jovens, mesmo que com capacidade de expressão verbal muito desenvolvida, têm dificuldade em dizer-nos, com certeza, se são meninos ou meninas. Por outro lado, na busca da identificação, as crianças em idade pré-escolar têm tendência a definir o género apelando à exacerbação de estereótipos, mesmo quando isso não corresponde totalmente às práticas sociais de que participam. Existem diversos estudos que dão conta desse fenómeno. Costumo ilustrar esta constatação com o caso da minha filha que, aos 3 anos, só queria que lhe comprasse roupa cor-de-rosa, levando ao extremo este "gosto" e adoptando comportamentos de recusa de roupa de outra cor. 
Mas o que deve merecer a atenção de todos educadores é o facto das questões de género marcarem profundamente as relações sociais entre crianças, tendendo a perpetuar estereótipos sociais que levam  à desigualdade entre sexos (ver a propósito, por exemplo, o estudo de Manuela Ferreira, de 2004, realizado num jardim de infância).
Assim, o jardim de infância afigura-se um espaço  fundamental para a construção desta faceta da identidade e é na escolha entre a perpetuação e a ruptura que se define a nossa intencionalidade educativa. 
Esta introdução serve para apresentar uma actividade sobre esta temática, inscrita no Plano Anual de Actividades do meu Agrupamento de Escolas e a que chamei "Coisas de meninos e meninas". Foi uma actividade realizada em todas as salas existentes nos jardins de infância, seguindo um procedimento semelhante.

Primeiro - foi mostrada uma projecção às crianças que continha afirmações a propósito da diferenciação (estereótipos) e fotografias que as contrariavam. Em cada afirmação era ouvida a opinião das crianças, registada pelos adultos, e só depois era mostrada a fotografia.

Afirmações/Imagens
  • As meninas não gostam de brincar aos super-heróis/ imagem de menina vestida de super-heroína
  •  Não há mulheres toureiras/ imagem de mulher toureira
  • Os homens não sabem limpar a casa/ imagem de homem a aspirar a casa
  • As mulheres é que sabem cuidar de bebés/ imagens de homens a cuidar de bebés
  • As mulheres não sabem jogar futebol/ imagem de mulher a jogar futebol
  • Os homens não sabem cozinhar/ imagem de homem a cozinhar
  • As mulheres parecem homens vestidas de soldados/ imagem de mulher-soldado a maquilhar-se
  • Os homens não usam cabelo comprido/ imagem de homem de cabelo comprido
  • Os homens não usam brincos/imagem de homem com brincos
  • Os homens não gostam de cor-de-rosa/ imagem de homem vestido de cor-de-rosa numa mota cor-de-rosa
  • Os homens não usam saias/ imagem de um escocês
Verificou-se que, em todos os grupos, apenas as afirmações relativas a cozinhar, cuidar de bebés, limpar a casa, usar cabelo comprido e brincos provocaram alguma discórdia, nas outras as crianças eram unânimes na resposta que apoia o estereótipo.

Segundo - Foi feita a pergunta " Afinal qual é a diferença entre meninos e meninas?"

Em todos os grupos as crianças mais velhas chegaram à questão do sexo como critério de diferenciação.

Terceiro - Foi mostrada uma imagem representando homem e mulher, menino e menina (retirada da brochura para o 1º ciclo de apoio à educação sexual). Foi pedido às crianças que identificassem as diferenças nas imagens e verbalizassem a que género cada uma pertencia (menino ou menina).

Num dos grupos verificou-se que algumas crianças mais novas continuaram sem muita certeza, não afirmando com convicção qual o seu género (menino ou menina). Não esperávamos que esta actividade permitisse a construção, já que esta última se faz no tempo e nas práticas sociais. Esperávamos acender o interesse e criar consciencialização de dúvidas, quando muito.

Quarto - Foi pedido às crianças que representassem graficamente meninos e meninas (registos do grupo 3 do JI de Meãs)

domingo, 13 de março de 2011

Quando as crianças reflectem sobre o que acontece

Terramoto no Japão
As crianças preocupam-se e formam ideias e opiniões sobre o que acontece à sua volta. Cabe-nos a nós dar-lhes oportunidades para que tentem compreender o que é difícil de aceitar.
Os noticiários são fartos em notícias sobre o terramoto no Japão. A Carolina (6 anos) foi ouvindo e registou num desenho a sua compreensão do acontecimento.
" O terramoto fez a terra abrir-se. Veio uma onda gigante com casas e carros. As pessoas tentaram fugir. Deviam preparar as casas para as ondas gigantes. As casas deviam ser bem altas e as pessoas moravam lá em cima".

sexta-feira, 11 de março de 2011

Um monte de areia

No jardim de infância de Meãs do Campo o espaço exterior é diminuto e desprovido de quase tudo. À frente do jardim de infância temos uma estrada sem saída e imediatamente a seguir um campo de futebol em terra batida. No entanto, todos os dias se fazem aprendizagens no exterior. Hoje, um monte de areia, para obras que se aproximam, e as barras de ferro que servem de divisórias no campo de futebol desafiaram o equilíbrio, a agililidade, a coordenação...

Escola da Ponte

A leitura de um blogue que costumo seguir deu-me o mote para esta notícia.
Não fica em nenhum país mais desenvolvido que o nosso, fica no Norte de Portugal, uma escola que é um exemplo, uma referência pelas pedagogias que desenvolve, tanto a nível nacional como internacional. O filme que aqui vos deixo foi realizado por brasileiros.  Escola da Ponte

terça-feira, 8 de março de 2011

Memórias de um casamento no Jardim de Infância

Foi há alguns anos que um grupo de crianças me informou dos amores e desamores existentes no grupo. Foi uma experiência inesquecível o que se passou a partir dessa conversa. Foram 3 meses de explorações à volta de conceitos como amor, amizade, namoro, casamento...
Tudo culminou numa dramatização colectiva em que se casaram namorados "aos olhos da lei e de Deus"(conforme as crenças expressas pelas crianças). As famílias espontaneamente enviaram fatos e adereços para a cerimónia e afluíram  ao jardim de infância, para espanto da educadora (eu).
Certamente todos já vivemos no jardim de infância situações em que a temática do jogo socio-dramático é o casamento, o que torna inesquecível esta experiência é a valorização dada por crianças e famílias, a seriedade que adquiriu o brincar. Hoje revia as minhas fotos armazenadas no computador e acordaram essas memórias. Porque é Carnaval, tempo de faz-de-conta para adultos e crianças, partilho convosco imagens dessa experiência.
Reparem no ar sério das crianças!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval na vila da Carapinheira




Fomos ao Carnaval na vila de Carapinheira.
As famílias e os meninos do JI de Carapinheira participaram.
Os papás realizaram um carro sob o tema da série televisiva "Vila Moleza", uma série de que os meninos gostam muito.
Parabéns aos papás.

sábado, 5 de março de 2011

Quais os conteúdos elegíveis para o currículo? O caso da tourada

Vivemos no nosso país uma discussão entre defensores e opositores da tourada. Para uns trata-se de uma arte com tradição profundamente enraizada na cultura do país, para outros é um atentado aos direitos dos animais e, portanto, algo a banir.
Na zona geográfica do nosso agrupamento de escolas a tourada é um acontecimento na altura do Verão que tem vindo a ganhar progressivamente mais adeptos. Inevitavelmente e repetidamente surge nas diferentes brincadeiras e formas de expressão das crianças (construções, dramatizações, desenhos). Mas, desta vez, foi mesmo eleita por algumas crianças no Grupo 2 do JI de Meãs como temática para um projecto.
O que fazer? Como abordar uma temática controversa com crianças pequenas?
Lembro as palavras de Dahlberg, Moss e Pense, no livro "Qualidade na educação da primeira infância:  perspectivas pós-modernas", quando afirmam que não existem saberes não elegíveis, todos são passíveis de ser abordados, desde que não seja de forma meramente reprodutiva e sim criativa e crítica.


O João trouxe uma capa de toureiro, começou a dramatização
A educadora integrou o grupo de forcados
Queremos fazer uma praça de touros. É redonda, circular...
É vermelha 

Precisamos de um corredor para circularem os forcados,
 separado da arena: a educadora ajuda a encontrar
 o material  e ajuda na construção
Precisamos de animais e pessoas na praça de touros: vamos buscar aos jogos
 da sala e trazemos de casa
Precisamos de capa para toureiros: a educadora ajuda a fazer
Brincar às touradas com touros, vacas, cavalos,
bonecos-cavaleiros, bonecos-forcados...
Depois do Carnaval promoveremos a discussão a propósito da controvérsia sobre as touradas.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Uma semana a viver o Carnaval

Está a chegar ao fim a semana em que vivemos o Carnaval no JI. Aprendemos lengalengas, conversámos sobre o Carnaval, dançámos, enfeitámos a sala, vestimos fatos... pensámos como mudar a nossa identidade mudando o aspecto visual da nossa cara com pinturas e máscaras.

Quem és tu oh mascarado
Que vens tão bem disfarçado
Eu não sei quem tu és
Vamo-nos fartar de rir
Só nos podem descobrir
Pelas orelhas ou pelos pés


Pintura sobre papel e colagem de materiais de desperdício (sala 1)




Pintura sobre cartão e colagem de materiais de desperdício (sala2)




Pinturas faciais (sala 3)






quarta-feira, 2 de março de 2011

Construir para brincar

No Jardim de Infância de Carapinheira, um estabelecimento com 2 salas e 45 crianças, os projectos de construções tridimensionais são mais que muitos. Quase sempre construções tridimensionais que as crianças idealizam como objectos para brincar (brinquedos).
Abraçar a filosofia de projecto, desenvolvendo uma pedagogia participada pelas crianças, exige que o educador seja capaz de:
  • aceitar as ideias das crianças e o seu ritmo de trabalho;
  • "andaimar" (Bruner) a realização das crianças para que atinjam níveis de realização superiores;
  • lidar com o imprevisto;
  • demonstrar disponibilidade para dar respostas atempadas às intenções das crianças...
É um caminho difícil de percorrer que resulta num currículo emergente, traçado numa fase inicial com poucos pormenores de concretização, embora à partida esteja já perene de intenções. Sabemos onde queremos chegar, mas deixamos que as crianças tracem o percurso connosco.
Hoje deixo-vos a documentação fotográfica do "projecto da garagem" do João Pedro (Grupo 1).
O projecto inicial
A escolha do material
A ajuda preciosa dos amigos
O investimento pessoal e a persistência
O produto final

Carnaval: tempo de faz-de-conta

Não me agrada a ideia de currículo construído em torno de datas comemorativas. Mas há aquelas datas e épocas que são incontornáveis no Jardim de Infância, porque culturalmente marcantes. É o caso do Carnaval.
O Carnaval é uma festa que remonta a tempos longínquos na Europa, com muitas variantes no modo como se festejou e festeja em diferentes lugares, tendo de comum em todos esses lugares as ideias de folia e de faz-de-conta.
"No Carnaval ninguém leva a mal", institui-se o faz-de-conta e podemos ser quem quisermos.
No Jardim de Infância esta época dá aos educadores oportunidades para explorar através das máscaras, das pinturas faciais, dos fatos... o imaginário infantil, mas também a fronteira entre o real e o imaginário, as expressões emocionais, a identidade.
Com as crianças mais jovens é um tempo que exige tempo para lidar com o medo do "estranho". Ainda guardo na memória o medo que tinha em pequena dos entrudos que andavam na minha aldeia!

Chinesa (máscara construída pela criança), com medo da imagem "estranha" de si própria  
Pinturas faciais, exploração autónoma pelas crianças de "caras assustadoras"
Pintura facial, "quero ser um palhaço"
Pintura facial, "quero ser o homem aranha"

terça-feira, 1 de março de 2011

Clocktwover: uma solução para o problema da menina do relógio

As duas meninas do relógio - Diana

Porque a resolução de problemas é uma capacidade que necessita ser exercitada...



Quando vimos o filme Clocktwover (publicado a 4 de Fevereiro), com os grupos 1 e 2 do JI de Carapinheira, lançámos um desafio às crianças: como resolver o problema da menina do relógio?
A Diana, uma menina de 5 anos, não se esqueceu, ficou a pensar nisso e quando perguntei ao grupo (20 dias depois) que solução tinham encontrado para o problema, respondeu prontamente: 
- "Arranjava outra menina que fosse para o relógio. Assim ela já podia ir à rua".
- Boa Diana!