Há uns dias um grupo de meninos ocupava uma mesa de trabalho, atarefado com recortes e colagens, experimentando, livremente, a partir de papel com padrões, novas formas plásticas . Eram sobretudo meninas de 5 e 6 anos à procura de novas formas de representar flores.
Num canto da mesa, o Diogo(3 anos) começou por desenhar num papel branco, depois recortou e colou. Esteve cerca de 20 minutos sem desviar os olhos do seu projeto, depois veio ter comigo e disse:
- "Olha um fantasma!"
-" Fantástico Diogo!"
E é mesmo fantástico, não só o produto do Diogo, como poder partilhar estes momentos de grande desenvolvimento das crianças.
Tudo começou nos finais de fevereiro, numa conversa em grupo, em que as crianças do grupo arco-íris manifestaram o desejo de ter um castelo na casinha das bonecas. Nesse momento surgiram os primeiros projetos de castelo, desenhados no quadro. Fizemos uma votação e ganhou a proposta da Ana Mafalda. Depois, a Ana Mafalda passou o seu projeto para uma folha de papel, deu cor ao castelo e a sua proposta foi colada na parede onde colocamos as propostas que vão surgindo (a parede dos projetos).
Pouco a pouco as crianças foram trazendo pacotes de leite vazios. Começámos a construção ainda no segundo período. Foi uma longa caminhada, muito trabalho, muito leite bebido, muita cola e tinta gastas e esta semana, finalmente, o castelo foi colocado no local para o qual foi concebido.
Agora toda a gente quer ir para a casinha, até os meninos que habitualmente escolhem apenas estar no computador nos momentos de atividades livres.
Depois da visita a casa da Carlota, ao salão da mãe que é cabeleireira, quisemos (grupo 2 do JI de Meãs) fazer um salão de cabeleireiro na sala. Durante a visita ouvimos as explicações da mãe da Carlota e fizemos muitas perguntas sobre o funcionamento do salão, para que servem os vários aparelhos, o balcão, etc.
Quando chegámos à sala, em grande grupo dissemos o que sabíamos sobre cabeleireiros
- Servem para pentear as pessoas;
- Para pintar o cabelo;
- Para lavar o cabelo ;
- Para secar o cabelo;
- Para esticar o cabelo;
- Para fazer madeixas;
- Para encaracolar o cabelo;
- Para cortar o cabelo.
Também aproveitámos para pensar em palavras terminadas em "ar" (consciência fnológica)
Para montar a nova área tivemos rapidamente que decidir qual o espaço da sala onde iríamos colocar o cabeleireiro e foi preciso fazer opções: mudámos a área da pintura e diminuímos um bocadinho a área das construções.
Depois decidimos o que era necessário para montarmos o nosso cabeleireiro:
- Um balcão
- Dinheiro
- Cadeiras
- Um lavatório para lavar o cabelo
- Secador de pé
- Secador de mão
- Pentes
- Escovas
- Molas, ganchos, rolos
- Champô
- Gel
- Bata de cabeleireira
- Toalha
- Revistas
- Telefone e telemóvel
- Agenda para marcações
Entretanto a mãe da Carlota mandou-nos um saco enorme, cheio de coisas de cabeleireiro! Obrigada!!!
Também já trouxemos de casa secadores, embalagens vazias, telemóveis…
Construímos o secador de pé, o lavatório com chuveiro e torneiras de água quente e fria. Por votação escolhemos o nome do nosso cabeleireiro: Salão Penteados. Quanto à distribuição de papeis decidimos que há uma cabeleireira, uma ajudante e duas clientes de cada vez e na sala de espera podem estar os meninos que quiserem.
Odinheiro também já entrou no jogo. Decidirmos o preço dos “serviços” a realizar no nosso salão, fizemos o preçário e as moedas já estão prontas a ser utilizadas!
Quando quiserem podem fazer-nos uma visita e usufruir dos nossos serviços!!!
Nem sempre nos apercebemos de pequenas/grandes coisas que as crianças fazem nas suas brincadeiras. E é uma pena que não demos a devida importância a essas pequenas/grandes coisas, porque elas nos mostram os grandes desafios a que as crianças se entregam enquanto brincam.
Hoje quando cheguei à sala de manhã olhei para o armário das construções e deparei-me com duas construções, duas espingardas. Perguntei de imediato quem as tinha feito.
- Foi o Diogo - respondeu o Gustavo.
O Diogo ainda não tinha chegado, mas desta vez ainda fui a tempo de lhe dar os parabéns e valorizar o seu esforço quando chegou.
Para os que ficam assustados com o uso de brinquedos de guerra pelas crianças sugiro uma leitura, espreitem aqui.
No grupo arco-íris andamos empenhados em tornar a nossa área de disfarces mais apelativa. Com ajuda dos familiares vamos arranjando fatos cada vez mais giros. Desta vez foi uma menina amiga da Ofélia, a Carolina, que ofereceu uns fatos de Carnaval e foi um corre-corre para os experimentar.
A nossa Carolina, "Genevive" como gosta de ser tratada, até já fez um projeto para a realização de um fato de princesa.
Ninguém duvida da importância do brincar em Educação de Infância devido ao seu papel no desenvolvimento e aprendizagem. Às vezes falta documentação para tornar evidente o que se aprende. Desta vez o grupo 3 do JI de Meãs documentou situações de brincar livre que apoiam o desenvolvimento de competências matemáticas.
Foi há alguns anos que um grupo de crianças me informou dos amores e desamores existentes no grupo. Foi uma experiência inesquecível o que se passou a partir dessa conversa. Foram 3 meses de explorações à volta de conceitos como amor, amizade, namoro, casamento...
Tudo culminou numa dramatização colectiva em que se casaram namorados "aos olhos da lei e de Deus"(conforme as crenças expressas pelas crianças). As famílias espontaneamente enviaram fatos e adereços para a cerimónia e afluíram ao jardim de infância, para espanto da educadora (eu).
Certamente todos já vivemos no jardim de infância situações em que a temática do jogo socio-dramático é o casamento, o que torna inesquecível esta experiência é a valorização dada por crianças e famílias, a seriedade que adquiriu o brincar. Hoje revia as minhas fotos armazenadas no computador e acordaram essas memórias. Porque é Carnaval, tempo de faz-de-conta para adultos e crianças, partilho convosco imagens dessa experiência.
Reparem no ar sério das crianças!
Brincar é o que mais fazemos no nosso JI. Inventamos na sala e na rua maneiras diferentes de pensar o que nos rodeia.
Com a ajuda da Sandra construímos um jogo muito engraçado, o "bingo dos animais"
Fizemos umas peças redondas em massa, a Sandra fez uns cartões com imagens e os nomes dos animais (projecto 2 histórias).
Para jogar sentamo-nos com um cartão à frente e a Sandra tira de um saco um cartão com o nome de um animal. Nós olhamos para a palavra que ela tem na mão e vamos procurar no nosso cartão uma igual, assim ficamos a saber qual é o animal que saiu. Se tivermos uma palavra igual pomos em cima da imagem uma peça daquelas que nós fizemos. Quando temos todas as imagens com uma peça gritamos: BINGO!!!