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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Porque estamos em período de avaliações...


Que ninguém se espante dos resultados em TIC no pré-escolar.  Bastam computadores à disposição, orientações corretas do ponto de vista da utilização e as capacidades para lidar com eles, enquanto utilizadores, crescem enormemente. Às vezes, mesmo as crianças com menores competências em domínios curriculares que implicam leitura e escrita conseguem desempenhos excelentes no computador. Não nomeiam uma letra, mal escrevem o nome com papel e lápis, não desenham a figura humana, mas copiam palavras, usando o teclado, para encontrar os jogos que lhes interessa jogar na internet. Espantoso?!
Não é nada de novo, pelo menos. A psicologia da educação estudou os mecanismos de aprendizagem há muito tempo. Não é aqui o espaço para falar sobre isso.
A mim esta facilidade das crianças com as novas tecnologias faz-me sempre pensar na escola (do jardim de infância à universidade) e no como ela pensa a aprendizagem. Por outro lado, faz-me refletir sobre o que de essencial as crianças precisam de aprender e que parece ser difícil de ensinar, sobretudo na escola: relações interpessoais e valores.
Deixo em brincaraqui uma evidência da facilidade das crianças com os computadores, mas também  uma evidência da perplexidade dos adultos e da imagem que os estes possuem  das crianças enquanto seres pouco competentes. Mostrar as suas imensas capacidades é fundamental, porque só a confiança nessas imensas capacidades de aprendizagem pode levar os adultos (pais e professores) a elevar o nível da educação, já agora também ao nível das relações interpessoais e dos valores.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Para refletir a propósito da comemoração do Natal

Na nossa cultura não há escola que não aborde o Natal nesta altura do ano. Mesmo cuidando de não transformar a escola num espaço de doutrina cristã, a cultura ocidental impõe a celebração.
No JI de Carapinheira não fugimos à regra e temos realizado à volta do tema algumas atividades plásticas e musicais. Também escrevemos ao Pai Natal, claro, embora muitos meninos tenham pedido pouca coisa porque ele está em crise.
Na sexta-feira passada começámos a falar das tradições de Natal em cada família. Sem pensar muito no meu público perguntei:
-Como é o Natal em vossa casa? O que é que se costuma comer?
O R. pôs o dedo no ar e disse:
-Eu não tenho Natal!
- Pois é R, claro que não. Segunda-feira vamos falar sobre isso, porque hoje já não temos muito tempo - disse.
Foi o que fizemos hoje logo de manhã. O R. esteve a explicar aos colegas que é Testemunha de Jeová e não celebra o Natal. Explicou que também não vai à igreja, mas que vai às "reuniões"...
As crianças estavam perplexas, mas muito atentas.
Talvez valha a pena, para além de esgrimir argumentos sobre o que devemos comemorar na escola na época de Natal, pensar se não será mais correto sensibilizar também as crianças para a existência de "mundos" sem Natal e com direito de existência.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Olha um fantasma

Há uns dias um grupo de meninos ocupava uma mesa de trabalho, atarefado com recortes e colagens, experimentando, livremente, a partir de papel com padrões, novas formas plásticas . Eram sobretudo meninas de 5 e 6 anos à procura de novas formas de representar flores.
Num canto da mesa, o Diogo(3 anos) começou por desenhar  num papel branco, depois  recortou e colou. Esteve cerca de 20 minutos sem desviar os olhos do seu projeto, depois veio ter comigo e disse:
 - "Olha um fantasma!"
-" Fantástico Diogo!"
E é mesmo fantástico, não só o produto do Diogo, como poder partilhar estes momentos de grande desenvolvimento das crianças.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pode um educador ensinar a ler?

Há uns dias escrevi noutro blogue sobre este assunto. Sei que há quem se interesse pelo assunto e se questione, por isso aqui fica a ligação para os interessados. Uma leitura pessoal desta problemática.

sábado, 17 de março de 2012

Porque estamos em maré de histórias...

Uma pequena reflexão em torno da importância da literatura infantil no JI, realizada no contexto da formação que me encontro a fazer...
Registar histórias e comunicá-las integra a história da humanidade, desde o tempo em que não havia um código escrito para o fazer. Podemos buscar justificativas em diferentes teorias, nomeadamente aquelas que procuram compreender a ação humana em estreita relação com as necessidades do homem, mas também podemos simplesmente constatar a natureza histórica desse facto e observar a evolução na forma e estilos de o fazer. Impossível será não reconhecer a literatura como património histórico e cultural da humanidade, imprescindível, portanto, à nossa identidade de seres vivos do género humano.
A literatura infantil surge a par com o nascimento da ideia de infância na modernidade (Ariés, 1960), quando esta se começa a reconhecer enquanto categoria geracional distinta. Evidentemente, inicialmente a literatura era apenas acessível a crianças leitoras, ou seja, às crianças das classes altas.
A evolução trouxe a alfabetização generalizada e a democratização da literatura infantil em sociedades ocidentais como a nossa. Hoje é acessível a quase todas as crianças, sobretudo a partir do momento em que se tornam leitoras, dada a maior facilidade com que têm acesso a livros em contexto escolar. 
Os estudos da década de 90 do século XX e do início deste século revelaram como o acesso aos livros e a exposição a práticas pecoces de leitura é determinante na qualidade do percurso de leitor (ver por exemplo as revisões da literatura de Lourdes Mata), o que conjugado com os maus resultados obtidos por Portugal em literacia, por essa altura, levou a um forte investimento político em programas de incentivo à leitura através do acesso a livros, sobretudo em contexto escolar. O PISA de 2009 revela uma evolução significativa por comparação com o estudo de 2000 dos níveis de literacia entre a população estudantil. Uma relação de causa efeito?
Independentemente do apuramento dos efeitos desses programas, podemos buscar fundamento para a importância da literatura infantil em argumentação já sustentada em investigação. Ou seja, o uso pedagógico da literatura infantil, que  historicamente encontramos associado à educação moral das crianças, é hoje reconhecido como aliado do educador porque fornece modelos e ideias, alarga o tipo de experiências das crianças proporcionando-lhes conhecimentos que muitas vezes não conseguiriam obter por vivências diretas, «abre o apetite» para os livros e desperta novos interesses, ensina as crianças a lidarem e manusearem os livros, apoia as crianças na construção de muitos conceitos sobre a escrita e aumenta o seu vocabulário (Galda & Cullinan, citados por Mata, 2008).
São estes últimos argumentos que levaram as educadoras do agrupamento da Carapinheira a colocar duas linhas de ação no PAA dedicadas ao uso de literatura infantil em contexto de sala  de atividades: “ler histórias no jardim de infância”, que pretende alargar a intervenção a outros agentes da comunidade educativa; e o “projeto 2 histórias”, que visa fazer uma sistematização didática de pelo menos dois textos em todas as salas de atividades ao longo do ano. Há ainda a realçar a “leitura em vai e vem” (proposta do PNL) que deseja levar as famílias a participar semanalmente no projeto de cada criança leitora, para além do investimento particular em literatura infantil que cada educador faz na sua prática diária.
Um começo bem intencionado, com a consciência de que ainda há muito para fazer.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Porque não podemos educar sem os pais?

Desiluda-se quem pensa que o JI poderá levar a cabo o projeto da educação de cada criança sem uma grande ajuda dos pais. Neste projeto, os pais, ou os cuidadores de uma criança, desempenham um papel insubstituível. Ao JI cabe a responsabilidade de enriquecer as experiências das crianças, num contexto social que a família também não pode oferecer.
Ou seja, uns e outros são insubstituíveis e indispensáveis na vida das crianças das nossas sociedades ocidentais. Deixo-vos uma ligação interessante que relembra aos pais a sua importância na vida dos filhos pequenos. O que devem fazer os pais? Simplesmente, ou  entre outras coisas, brincar! Espreitem aqui

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pequenas coisas

Nem sempre nos apercebemos de pequenas/grandes coisas que as crianças fazem nas suas brincadeiras. E é uma pena que não demos a devida importância a essas pequenas/grandes coisas, porque elas nos mostram os grandes desafios a que as crianças se entregam enquanto brincam.
Hoje quando cheguei à sala de manhã olhei para o armário das construções e deparei-me com duas construções, duas espingardas. Perguntei de imediato quem as tinha feito.
- Foi o Diogo - respondeu o Gustavo.
O Diogo ainda não tinha chegado, mas desta vez ainda fui a tempo de lhe dar os parabéns e valorizar o seu esforço quando chegou.

Para os que ficam assustados com o uso de brinquedos de guerra pelas crianças sugiro uma leitura, espreitem aqui.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O espírito de equipa fortalece a nossa profissionalidade

A pedido das colegas do JI de Meãs termino este dia com uma reflexão sobre o trabalho em equipa no contexto agrupamento de escolas.
Vamos ouvindo aqui e acolá que as relações entre os profissionais que trabalham no mesmo estabelecimento educativo, ou no mesmo agrupamento de escolas, nem sempre são muito próximas. Motivos pessoais não estarão ausentes nesse fenómeno, mas talvez devamos encontrar as causas noutra morada.  A cultura do professor/educador "dono da sua sala", "reinando nos seus domínios" construiu-se e alimentou-se internamente nas escolas ao longo dos anos.
Enquanto equipa de educadoras de um agrupamento de escolas não somos um caso à parte. Porém existe entre nós o desejo coletivo de inverter essa tendência. No dia-a-dia procuramos um sentido de projeto que nos una nas intenções pedagógicas e nas práticas diárias.
Começamos por definir no nosso Plano Anual de Actividades situações pedagógicas que vão além do acontecimento pontuado aqui além por uma data, ou uma temática, e que se concretizem em atividades que nos guiem, a nós e às crianças, didaticamente por caminhos comuns. Depois, intencionalmente, alargamos à dimensão do jardim de infância atividades inicialmente propostas por uma, ou para uma sala, sempre que elas possam gerar experiências ricas para todas as crianças.
A pessoalidade de cada uma de nós afirma-se através do contributo que pode dar à equipa, porque sabemos que cada uma de nós se torna melhor profissional quando se apoia nos outros elementos.

Visita à mercearia da mãe da Íris
Esta visita vem na sequência do interesse manifestado pelas crianças (sala 1 do JI de Meãs) em montar uma mercearia na sala. A visita foi alargada às outras 2 salas.


À saída
O que há numa mercearia I

O que há numa mercearia II
Íris-merceeira 
O lanche

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Porquê insistir no brincar?

Em tempos (nos anos 90) fiz uma tese de Mestrado sobre o valor da brincadeira. Enquanto educadora preocupava-me com a justificação do espaço do brincar, como forma de resistência a um movimento forte de escolarização que se fazia sentir na educação pré-escolar.
Descobri com esse trabalho e com os posteriores que não há justificação científica que convença quem acha que na educação e no ensino são necessários apenas saberes e o bom senso que permitam perpetuar o que o Homem já foi e ainda é. Para esses, a escolarização é a única via de significar a educação pré-escolar e a brincadeira um espaço inevitável decorrente da imaturidade infantil. Nos mesmos trabalhos descobri também que as crianças, não tendo lido nenhum trabalho científico, são unânimes a favor da brincadeira e do seu valor educativo...
Hoje mantém-se a necessidade de justificar aos adultos o que é tão óbvio para as crianças, mas faltam-me as palavras, deixo-vos as de Rúben Alves.

"Amar é brincar.
Não leva a nada.
Não é para levar a nada.
Quem brinca já chegou."

domingo, 1 de maio de 2011

Dia da mãe


Agora já podemos noticiar o que foi feito para a mãe, a qual vive no nosso imaginário de adultos com imagens como a de "La Pietá" de  Miguel Ângelo (Michelangelo). Imagens que inevitavelmente conduzem ao formato da nossa acção pedagógica, independentemente das nossas crenças religiosas.
Para além do quadro que a professora Filomena ensinou a fazer, foram desenvolvidas outras actividades a propósito deste dia. Depois  da expressão individual de ideias,  a propósito da mãe, no jardim de infância de Carapinheira fizeram-se postais com um texto de grupo. No grupo 1 o poema foi construído a partir das falas espontâneas das crianças, no grupo 2 foram lidos primeiro  2 poemas sobre a mãe.




A mãe brinca comigo aos médicos
Lê-me histórias e ganha os jogos
É fantástica a fazer comer
E anda sempre a correr

(grupo 1)


Gosto da minha mãe
Adoro-te mãe!
Tens olhos como flores
Tu és a minha rainha
Tu és a mais bonita do mundo
Ando sempre ao pé da minha mãe
Estás no meu coração
Nunca te esqueci!
És a mais bela
A minha mãe é a minha alteza
A minha mãe é o meu amor
Nunca te vou apagar do fundo do meu coração
A minha mãe é a mais querida, ela é a melhor, 
pôs o mundo todo bonito e colorido
A minha mãe é a mais gira,
porque me deixa ir aos sítios que eu quero
A minha mãe é amiga, simpática, linda, ela é a melhor
A minha mãe é a mais linda do mundo,
bonita como uma papoila e tão bonita como um cravo
A minha mãe tem flores no coração
A minha mãe gosta de mim, amo a minha mãe
A minha mãe tem corações nos olhos
A minha mãe põe o mundo a girar
Minha mãe, nunca te vou esquecer!

(grupo 2)


As actividades a propósito do dia da mãe merecem-me uma reflexão que quero partilhar convosco.
Tudo está no seu lugar quando a mãe corresponde a esta imagem romântica do pensamento judaico-cristão de amor e afecto incondicionais pelos filhos, mas nem sempre é assim. A mãe pode ser protagonista de abandono, de maus tratos, de negligência... É preciso estar atento e ter cuidado com a exacerbação de imagens que podem excluir crianças, ou levá-las a sentirem-se culpadas por não terem a melhor mãe do mundo, que as ama incondicionalmente. Todas as crianças precisam de figuras de referência, mas essa figura (podem ser várias) pode não ser a mãe e pode não assinar no feminino. 

Há mais para mostrar sobre a mãe. Fica para as próximas partilhas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Escuta das crianças


Nem sempre conseguimos compreender as mensagens das crianças se nos ficarmos pela interpretação literal do que dizem. É necessário escutar considerando o momento, o local, os gestos que acompanham a fala, as suas expressões, a sua história pessoal... Escutar uma criança dá "muito trabalho", mas faz toda a diferença nas nossas vidas de educadores e na dela.
Um grupo de rapazes brincava escavando no jardim, num dia da semana anterior. A educadora do grupo 2 pensou que estariam a plantar alguma coisa, mas perguntou o que estavam a fazer. Um dos rapazes respondeu:
- Estamos a fazer uma escultura.
- Uma escultura?! - admirou-se a educadora. Estranha escultura, pensou.
Entretanto chegou a hora de almoço e a brincadeira foi interrompida, não havendo tempo para mais conversas. O grupo de educadoras reuniu-se, como de costume, também para almoçar.
-Há bocado fui dar com alguns rapazes a fazer uma "escultura" na terra. Quer dizer, estavam a fazer um buraco!- disse a educadora do grupo 2.
Parámos todas por momentos a pensar, para tentar compreender que tipo de "escultura" estariam as crianças a fazer. De repente a educadora do grupo 3 disse:
- Já sei, era uma "estrutura", uma "estrutura de rega", eles não andavam a regar?
A educadora do grupo 2 concordou, dizendo que agora percebia o que as crianças estavam a dizer enquanto escavavam. "Escultura" terá sido a palavra que encontraram por associação de ideias e/ou sonoridades, querendo designar um tipo de construção que vêem os adultos fazer nos terrenos de cultivo, um sistema de rega tradicional que traça na terra percursos para a água. Aquele grupo de rapazes vive mesmo interessado nas actividades dos adultos ligadas ao campo e à agricultura, é importante não esquecer isso nas propostas de actividades.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A minha mãe não me deixa lavar a loiça!

Ontem os meninos da sala 2 do jardim de infância de Meãs lembraram-se de lavar a loiça da casinha das bonecas. Estava muito calor e mexer na água apetecia mesmo.
"Vocês gostam de lavar a loiça? ", perguntou a educadora. "Eu gosto, mas a minha mãe nunca me deixa!", respondeu uma menina.



Isso foi ontem, hoje alguns meninos lavaram mesmo a loiça da actividade de culinária com a supervisão dos adultos.
Às vezes os adultos subestimam as capacidades das crianças e são pouco sensíveis às suas necessidades. É claro que é mais prático fazer rapidamente as coisas, mas os adultos não podem/devem esquecer-se que as crianças precisam de oportunidades para aprender e assim desenvolver competências. Ser educador é criar oportunidades de aprendizagem!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Para reflexão


Hoje sugiro algo diferente neste espaço de partilha.
Este vídeo aparece descrito como uma apresentação de guitarra das crianças de uma turma de Jardim de Infância, na Coreia do Norte.
É um vídeo no mínimo estonteante e que nos faz pensar. Surgem-me uma série de questões de imediato:
-Seria possível em Portugal?
-É legítimo?
-Que "ingredientes" fazem parte daquele sistema de ensino?
-As crianças estão genuinamente felizes como parecem? É que os sinais dão mesmo ideia que estão felizes!

domingo, 13 de março de 2011

Quando as crianças reflectem sobre o que acontece

Terramoto no Japão
As crianças preocupam-se e formam ideias e opiniões sobre o que acontece à sua volta. Cabe-nos a nós dar-lhes oportunidades para que tentem compreender o que é difícil de aceitar.
Os noticiários são fartos em notícias sobre o terramoto no Japão. A Carolina (6 anos) foi ouvindo e registou num desenho a sua compreensão do acontecimento.
" O terramoto fez a terra abrir-se. Veio uma onda gigante com casas e carros. As pessoas tentaram fugir. Deviam preparar as casas para as ondas gigantes. As casas deviam ser bem altas e as pessoas moravam lá em cima".

sexta-feira, 11 de março de 2011

Escola da Ponte

A leitura de um blogue que costumo seguir deu-me o mote para esta notícia.
Não fica em nenhum país mais desenvolvido que o nosso, fica no Norte de Portugal, uma escola que é um exemplo, uma referência pelas pedagogias que desenvolve, tanto a nível nacional como internacional. O filme que aqui vos deixo foi realizado por brasileiros.  Escola da Ponte

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A diferença entre olhar e experimentar

Hoje dei uma volta nalguns blogues e reparei numa coisa que me preocupou.
Sendo eu formadora na área das ciências, preocupa-me que se façam sementeiras (actividades de germinação de plantas) em que a educadora faz e os meninos observam. Ora, as actividades assim vividas pelas crianças não têm qualquer valor educativo, não produzem efeitos nas "estruturas cognitivas", ou de acordo com uma linguagem mais actual, não levam ao desenvolvimento de competências.

Criticado por muitas razões, mas não por essa, será bom não esquecer o que Piaget nos ensinou a propósito da aprendizagem activa!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Homenagem aos meus amigos e colegas do 1º ciclo

Encontrei um texto num blogue, assinalado como sendo de autor anónimo e não resisto, tenho de o partilhar! É uma homenagem que faço a todos os meus colegas e amigos professores do 1º ciclo do ensino básico que muito estimo e respeito e também uma reflexão a propósito da leitura e escrita na Educação Pré-Escolar.
Não querendo encetar nenhuma discussão em torno dos métodos de aprendizagem da leitura e escrita, apenas quero realçar que na Educação Pré-Escolar "alfabetizamos sem receita".


Receita de Alfabetização

Ingredientes:
1 criança de 6 anos
1 uniforme escolar
1 sala de aula decorada
1 cartilha

Preparo:
Pegue 1 criança de 6 anos, limpe bem, lave e enxague com cuidado. Enfie a criança dentro do uniforme e coloque-a sentadinha na sala de aula (decorada com motivos infantis). Nas oito primeiras semanas, sirva como alimentação exercícios de prontidão. Na nona semana, ponha a cartilha nas mãos da criança.
Atenção - tome cuidado para que ela não se contamine com o contato de livros, jornais, revistas e outros materiais impressos.
Abra bem a boca da criança e faça com que ela engula as vogais. Depois de digeridas as vogais, mande-a mastigar uma a uma as palavras da cartilha. Cada palavra deve ser mastigada no mínimo sessenta vezes. Se houver dificuldade para engolir, separe as palavras em pedacinhos.
Mantenha a criança em banho-maria durante quatro meses, fazendo exercícios de cópia. Em seguida, faça com que a criança engula algumas frases inteiras. Mexa com cuidado para não embolar.
Ao fim do oitavo mês, espete a criança com um palito, ou melhor, aplique uma prova de leitura e verifique se ela devolve pelo menos 70% das palavras e frases engolidas.
Se isso acontecer considere a criança alfabetizada. Enrole-a num bonito papel de presente e despache-a para a série seguinte.
Se isso não acontecer, se a criança não devolver o que lhe foi dado para engolir, recomece a receita desde o início, isto é, volte aos exercícios de prontidão. Repita a receita quantas vezes for necessário. Se não der resultado, ao fim de três anos enrole a criança em um papel pardo e coloque um rótulo: aluno repetente.

Alfabetização sem Receita
Pegue uma criança de seis anos mais ou menos, no estado em que estiver, suja ou limpa, e coloque-a numa sala de aula onde existam muitas coisas escritas para olhar, manu.sear e examinar.
Sirva jornais velhos, revistas, embalagens, anúncios publicitários, latas de óleo vazias, caixas de sabão, sacolas de supermercado, enfim, tudo o que estiver entulhando os armários de sua casa ou escola e que tenha coisas escritas.
Convide a criança para brincar e ler, adivinhando o que está escrito. Você vai descobrir que ela sabe muita coisa!
Converse com a criança, troque idéias sobre quem são vocês e as coisas que gostam ou não. Depois escreva no quadro algumas coisas que forem ditas e leia para ela.
Peça à criança que olhe as coisas escritas que existem por aí, nas ruas, nas lojas, na televisão. Escreva algumas dessas coisas no quadro.
Deixe a criança cortar letras, palavras e frases dos jornais velhos. Não esqueça de pedir para que ela limpe a sala depois, explicando que assim a escola fica limpa.
Todos os dias leia em voz alta alguma coisa interessante: historias, poesia, notícia de jornal, anedota, letra de música, adivinhação, convite, mostre numa nota fiscal algo que você comprou, procure um nome na lista telefónica. Mostre também algumas coisas escritas que talvez a criança não conheça: dicionário, telegrama, carta, livro de receitas.
Desafie a criança a pensar sobre a escrita e pense você também. Quando a criança estiver tentando escrever, deixe-a perguntar ou ajudar o colega. Aceite a escrita da criança. Não se apavore se a criança estiver comendo letras. Até hoje não houve caso de indigestão alfabética.
Invente sua própria cartilha, selecione palavras, frases e textos interessantes e que tenham a ver com a realidade da criança. Use sua capacidade de observação, sua experiência e sua imaginação para ensinar a ler. Leia e estude sempre e muito.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Crianças, cidadãos de pleno direito

Ainda não fez um ano que defendi uma tese de doutoramento que assumia uma vertente interventiva a favor do direito das crianças à participação. Para que esse direito seja reconhecido e incluído nas práticas sociais é necessário acreditar que as crianças são competentes, fazem parte da sociedade global a que todos pertencemos - assumindo nos comportamentos sociais as particularidades inerentes à geração a que pertencem e ao contexto onde vivem - têm coisas a dizer sobre essa sociedade, influenciam-na e são por ela influenciadas.
Um exemplo...

"O YouTube tem vários vídeos da pequena Nina com gracinhas mais ou menos próprias dos seus quatro anos. Neste, a menina explica o que se passa no Egito. E o que se passa é que ´há "luta". Entre o Presidente e "as pessoas normais", que "não têm dinheiro", enquanto o Presidente têm "montes de dinheiro". As "pessoas normais" trabalham e não recebem, pelo que ficaram "zangadas" com o Presidente. Tudo acompanhado de uma expressiva linguagem gestual..." aeiou.visao.pt

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Aprender com os outros tão diferentes de nós, sem querer ser como eles

Hoje pensei que uma reflexão sobre o que se faz em educação de infância noutros países nos podia ser útil. Lembrei-me do tão balado  modelo sueco e fui à procura de algo que pudesse motivar a nossa reflexão. Só encontrei material em inglês. Mas como se trata de um filme, penso que todos conseguirão compreender o essencial.
É interessante verificar como esta proposta educativa, reconhecida internacionalmente, nomeadamente na preparação das crianças para um percurso escolar, se afasta tanto das práticas comuns de "pré-escolarização" no nosso país. Sem deixarmos de ser quem somos, com a nossa história e a nossa cultura, talvez fosse bom pensar que temos algo a aprender com os outros.
Sendo a educação pré-escolar a primeira etapa da educação básica, ela pode sê-lo de diferentes formas. Podendo definir-se a meta onde queremos chegar (ou as metas) é bom que não enveredemos por caminhos que no obriguem a percursos desnecessários, ou até penosos, para lá chegar...
Sobretudo será importante não esquecer, como diria Dewey, que a escola (neste caso o Jardim de Infância) também é um espaço onde se vive.
Precisamos de procurar "uma pedagogia de fronteira", de que nos vem falando ultimamente Teresa Vasconcelos, para afirmar que o  Jardim de Infância é uma escola, mas não é uma escola igual às outras. O Jardim de Infância é uma escola em que vivemos hoje e simultaneamente nos projectamos para o futuro (adultos e crianças).

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um grande manamanah para 2011

Depois de muito pensar sobre as dificuldades que se esperam em 2011, de tentar encontrar, apesar disso, palavras que façam sentido nesse cenário, desejo a todos

UM GRANDE MANAMANAH (siga o link)


Seja lá o que isso for. Imaginar é preciso!